domingo, 10 de julho de 2011

Sê!



Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale,  mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Engraçado essa mania da vida me dar presentes. Como se eu, ainda em silêncio e de olhos fechados na cama, abrisse meu coração pedindo uma bênção. Uma luz, pode-se dizer. Um embalo para o dia além do sol radiante lá fora. Pode vir de uma cena da rua, uma cena de filme, uma estrofe da música que toca no rádio ao despertar. Da propaganda bem feita que me ilumina  a mente, da conversa franca de quem abre o coração. Como se me fizessem ter a mais plena certeza de que, sim, estou viva. E me vivendo plenamente, sejam lá quais forem as pedras no caminho - geralmente pedras com pernas, braço e uma boca maldita - dessas que nem se consegue fazer o tão famoso castelo.
 Sê o melhor no que quer que seja. Sê o melhor de ti. Sê qualquer coisa, mas sê por inteiro. E dê o melhor de ti, das minúsculas às enormes coisas: do olhar que compreende e acolhe, do abraço que recebe e acalma. Ouve com o coração o que o outro tem a dizer. Abraça como quem vira porto em noite de temporal. Ou, simplesmente, faz um chá...
Em resumo: sê amor. Parece piegas, mas não é. E meu raciocínio é meio razão e meio emoção, o que dá a ele um belo de um respaldo. Ele limpa nossa mente de qualquer maldade, de qualquer pré julgamento, de qualquer preconceito que, como todo 'pré algo', sela nossos olhos, tampa nossos ouvidos, abre nossa boca mesmo antes do outro se expor. Como se antecipássemos o outro. Como se nos achássemos no direito de sê-lo - sem nem sabermos direito nos ser. Expomos do outro 'erros' e 'defeitos' que temos ou que morremos de medo de ter. Cutucamos no outro a ferida que nos dói. Não vemos direito, escutamos só o que nos interessa e falamos antes da hora. Ou, pior: ferimos , sangramos,  com a arma infecciosa de quem sabe o outro - ou pensa que sabe. E parece que quanto mais sabemos do outro, mais fácil essa batalha insana de derrotá-lo. Por que o que derrota o outro - e a gente, todo dia e toda hora - é a própria mente, anjo e diabo o dia todo discutindo o que temos - ou pressupomos ter -  de bom e de ruim. Anjo e diabo de nós mesmos, a nos cobrar coisas, transbordar culpas, corretas ou não, devidas ou não - e geralmente tudo junto.
Sábio Neruda que nos deu as tintas para um belo quadro, seja lá qual for o tema. Ou belas palavras para um lindo poema. Se não dá de um jeito, dá de outro. Se não tem amarelo, vai de azul. Se não tem rima, tira da palavra toda a sua graça. Se não somos assim, podemos ser assados. Se não somos tudo o que sonhamos ser - e nisso muito sonho dos outros e não nossos - nada somos? Errado. Neruda profetiza: não é pelo tamanho que teremos êxito ou fracasso...mas pelo melhor que somos  no que quer que seja... Seja lá o que isso seja! Desde que sejamos...

2 comentários:

  1. "Expomos do outro 'erros' e 'defeitos' que temos ou que morremos de medo de ter. Cutucamos no outro a ferida que nos dói."

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  2. Muita gente prefere falar sobre a vida alheia do que cuidar de seus próprios interesses. Ah, se as pessoas soubessem que assim desperdiçam a chance de avançar...Enquanto falamos do outro, passamos a viver uma vida que não nos pertence. Que sentido tem isso? Infelizmente, muita gente prefere viver assim...e, e esquecem de ser quem é e pronto! Dando o melhor de si é uma atitude nobre e poucos são os privilegiados que conseguem seguir seu coração dando o seu melhor de sempre, agindo de acordo com as suas convicções e, com certeza sentirá mais satisfação, felicidade e recompensa consigo mesmo e com os amigos solidários, que conquistará por seu mérito.Enfim, se não tem o que falar de bom a respeito de uma pessoa, fique em silêncio!!

    Querida e estimada mestre, Joyce, espero ter conseguido ser "entendida", pois, como vc mema já disse: "não troque os trocadilhos..." rsrsrs..., então, gostaria da sua opinião, sempre é muito proveitoso aprender, principalmente com uma grande mestre como você! Lógico, se vc quiser e puder, bjs!

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