sábado, 30 de julho de 2011

Saboreando...



Quem não se ama, não ama...
Essa era a minha frase da vez. Saiu de minha boca como quem anuncia chuva fértil. Com que come as frutas molhadas da chuva e depois chupa o dedo.
Hoje é sábado. Não escrevo desde quarta. Não porque não tenha o que falar, mas por falta de tempo para  mim mesma. Mas hoje me dei. Por teimosia, até. E por uns desses insigths que a vida nos dá, nossos 'brilhantismo instantâneos'.
Cá entou eu, em companhia de meu fiel, peludo, e marrom escudeiro - hoje ele precisando mais de mim do que eu dele. Nós e o silêncio providencial da casa. Eu, ele, um velho e macio edredom e um bule de chá. Ah, e meu presente do dia...ou mais um. Um filme, na não esperada muda noite.
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, um filme que, mesmo se revendo, sempre parece a primeira vez, aquela mágica vez em que conhecemos - e nos apaixonamos - por um filme, um enredo, uma ideia, uma história. Quem sabe uma personagem - ou muitas. Quem sabe nos faz lembrar de uma pessoa, de um sentimento, por mais distante, por mais quieto que seja. Por mais discreto. Plantar o amor. Viver para ele até que nos chegue.  Jogar sementes dele por ai, como quem dá uma de vento ou beija-flor. Quem sabe frágil borboleta recém saída do casulo. Quem sabe façam abrir, desabrochar nossas próprias flores. Quem sabe...Eu, que já conheci o amor de tantas formas e cores, de tantos cheiros, que já semeei sem nem me preocupar se a cor era amarela ou rosa, se era rosa ou jasmim, mereço. 
Sou Amélie. Mulher simples que quer uma simples vida. Que vê nas coisas simples, ela refletida. Que viu no amor infantil, história. Que vê no amor do filho, fiada sem fim, tricot de uma vida. Que procura no amor maduro, esperança. Que sofre como ela sofre também por esperar, espero que não demais. Que quer todo mundo ao seu redor bem, mesmo que para isso se esqueça. Que reza todo dia para não deixar a vida passar em vão. Que o relógio pare para dizer amém. Não quer da vida simples filme, começo, meio e fim: quer enredo. E do bom. De chorar, até, mas da mais pura emoção. 
Quase uma década e Amélie persiste, insiste, não se deixa morrer. Para ela, quem ama, se ama. Para mim, quem não se ama, não ama. Somos a mesma em tons contrários.
E ponto final. Final feliz.

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