sexta-feira, 1 de julho de 2011

Muito!



"Não vou deixar a porta entreaberta.
Vou escancará-la ou fechá-la de vez.
Porque pelos vãos, brechas e fendas passam semiventos,
meias verdades e muita insensatez".
Cecilia Meireles

Adorei essa frase que postaram no "Mundo Encantado do Facebook". E me identifiquei. Talvez porque mulher, talvez porque poeta, talvez porque inquieta. Também não sei ser metade, nem pouco. Nem fresta, ou porta entreaberta.Sou toda escancarada. Direta . Sincera. Entregue. Posso até pegar mil, caminhos, mas sei bem onde quero chegar. Ah, e quando me empolgo, melhor deixar eu atracar, devorar, me meter, procurar e encontrar, de estudos a escritas, ou até a comida a fazer. Gosto. Faço. Sinto. Vivo. Uma explosão de entusiasmo. Ou me fecho, nego, silencio, se não quero tal coisa para mim. Como se meu desprezo a fizesse minguar. Quem sabe some?
Sou tudo e ao mesmo tempo.  Sou muito em tudo que faço, pura energia, do comer ao falar - apesar de que meu filho está ganhando de mim nesse quesito (quem falou que adolescente é quieto?) e por vezes no outro também - eu perco por puro juízo. E, sinto, mas azar de quem tiver  - ou quiser - que me aguentar. Sou.
Sou do sol entrando sorridente pela janela ou do breu, black out - não me venha com frestinha de luz - nem consigo relaxar, como se meio dia  me chamasse  e não a vida. Não me venha com meia luz, a não ser que tenha 'más' intenções. Mas também não ligue a luz total do quarto a fim de me cegar. E se o tema for comida, sai da frente, querida, sou do prato cheio - não sou de food design. Nem comer como devagar, devoro, tudo, entusiamada, o que gosto. Mordida? Nem morta. Sorvete? Delírio, de balde e na base da colherada. Biscoito, bombom ou docinho? Nem vem com um só - um amigo já disse que isso é lenda. Até para escrever exagero, nunca fico na meia página, no meio texto, por vezes sobra - e olha que  tenho me policiado ( a nova geração detesta ler...).
Quer conversar? Puxa a cadeira e se acomode: adoro deixar o tempo passar passeando com  as palavras, minhas e do outro.  Juntar ideias, compor novas, rememorar. Livraria? Nem me leve, ou me ajude a carregar - e pagar - se puder. Discos? Nem compro mais: por mim tinha todos...ou quase, melhor explicar.
Cecilia tem razão. Meias frestas são mistério e  medo. Porta entreaberta nos faz pensar no que vem de lá, desassossego, coisa de Lobo Mau. Ventos são bons quando sinceros, não traiçoeiros. De  meias verdades - ou mentiras meias - o mundo está cheio - e o inferno também. De insensatez, então, nem se fale: não me vale. Melhor nem começar.
Quem me conhece de verdade sabe. Sonho alto. Quero muito - um muito próprio meu, nada comercial. Sou uma ou mais. Enorme. Um exagero. Até no amar.

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