quarta-feira, 27 de julho de 2011

Melada


Mais um dia começa, assim, igual a  tantos outros que já passaram. Mas, você diria, cada dia é um, único. Concordo. O dia é único, apesar de chegar em hora predeterminada e se ir aos poucos, como quem nos leva. Mas a forma com que se vive, sempre a mesma, apesar de nossas tantas tentativas de fazer diferente , de fazer a diferença.
Uma vez fiz um texto falando que deixávamos para viver intensamente nos finais de semana, e que fazíamos do dia-a-dia  uma coisa não morna, porque nos queimamos de tantas atividades, mas sem sal. Ou pelo menos sem gosto. Um viver mesquinho. Atropelamos as horas, como quem passa por cima e nem dá bola. Vivemos, sim, pois estamos vivos. Mas não vivenciamos, o que é, por si só, muito diferente. Deixamos que os problemas, muito insolúveis, outros até banais - o simples lembrar que tem que comprar pão - tomem conta total de nossa mente. Sufoco de belas ideias, tampão de olhos para coisas boas que, sim, acontecem, mas a gente nem se dá conta. Não vê, cegueira de se deixar levar. Ou se dá conta, mas só das contas altas demais para se pagar. E é em breves momentos de nos vivermos, vivenciarmos as coisas, que descobrimos que podemos ser felizes, que somos felizes, senão o tempo todo - coisa que nem os palhaços  e as crianças o são, mas um pouco, pitada do dia. Nossa malagueta diária - ou pelo menos canela ou açúcar de baunilha, não importa. Como se o sufoco  - ou a mesmice - de viver o dia fossem deixando a gente anestesiada, ligada no piloto automático. Cumpridores de listas, repassadores de agendas. E 'vai que vai'!
Ontem, o que era para ser um desastre, fila enorme no cinema ( e dizem que brasileiro não vai ao cinema...) e entradas se esgotando, pegamos três filas ( ingresso, pipoca e acesso à sala). E na dúvida de ser feliz ou deixar para sê-lo depois, ficamos. E o resultado foram momentos de relax, muita risada e picardia. Depois, um bom papo, um lanche leve mas divertido, mais umas risadas - sempre por conta de minha visão desligada, por vezes, da vida - e uma volta para casa  acompanhada de bela sensação: 
a de ter vivido. O dia não foi me vão...muito menos a noite!
Hoje o sol me acordou  - e antes dele um passarinho - e me deixou na porta da casa os problemas do dia, lista interminável. Que bom seria se os bons momentos de ontem adoçassem esse dia, fizessem lembrar que a vida não deve ser devorada, como quem come rápido para sair da mesa. Mas como um único e gostoso doce, que a gente saboreia, se mela toda e ainda chupa os dedos sem frescura - não sem soltar uns gemidos, tantos hummmms e haaaaaas, marca registrada. Sentir cada bocada, o doce passeando pela boca, o gosto lembrando um tempo bom, a boa sensação vivida. A vontade de fazer do momento , muito. Sem culpa, sem pena e sem vergonha. Sem medo de viver a vida.
É Séneca tinha razão...
"Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida".

2 comentários:

  1. Boooooooooooooooooooooom diaaaaaaaaaaaaaaaaa, joy!!! Que alegria ler de novo seus textos!!! passei aqui para me abastecer...tem razão, a vida sufoca - ou deixamos que ela faça isso? A vida é dura ou deixamos que ela endureça a gente? cada dia é uma vida...amei isso!
    Sábia Joy, faz de tudo poema. Gosto muito de vc, sabia??
    É, voltei, se cuida Paco!!!! uahsuahsuahsuauauauhsushs
    Miazinha

    ResponderExcluir
  2. é tão necessário viver,tão urgente se superar, que por diversas vezes não lembramos de saborear o viver e dar emoção e atenção a coisas pequenas,gostosas....estes momentos de leitura e relax, nos lembram....que viver não é estar vivo....viver é sentir...sorrir e saber que as lágrimas as vezes são necessárias, para o despertar de sentimentos que a vida corrida,carreira exigente nos faz esquecer.
    Adorei como sempre Joy.

    ResponderExcluir